Foslevodopa no Brasil: aprovação da Anvisa e disponibilidade em 2026
Postado em: 28/09/2026

Quando o tratamento convencional deixa de oferecer o controle esperado dos sintomas da doença de Parkinson, algumas pessoas podem ser avaliadas para novas abordagens terapêuticas.
Em 2026, a Anvisa aprovou a foslevodopa no Brasil, ampliando as opções de tratamento para pacientes com Parkinson em estágios avançados que apresentam flutuações motoras. Administrada por infusão subcutânea contínua, a terapia busca manter níveis mais estáveis de levodopa ao longo do dia, reduzindo as oscilações associadas ao uso de medicamentos por via oral.
A indicação da foslevodopa é individualizada e depende de uma avaliação neurológica detalhada, que considera a evolução do quadro, as características dos sintomas, a resposta aos tratamentos anteriores e os objetivos de cada paciente.
Neste artigo, você vai entender como funciona a foslevodopa no tratamento da doença de Parkinson, o impacto da aprovação pela Anvisa, quais pacientes podem se beneficiar e como essa abordagem se compara a outras opções avançadas de cuidado.
O que é a foslevodopa e como ela funciona no organismo?
A foslevodopa é uma pró-droga da levodopa, ou seja, uma molécula que é convertida em levodopa após sua administração. No cérebro, a levodopa é convertida em dopamina, neurotransmissor cuja redução está relacionada aos sintomas motores da doença de Parkinson.
A foslevodopa é administrada em associação à foscarbidopa, substância que reduz a conversão da levodopa antes que ela alcance o sistema nervoso central. Essa combinação aumenta a disponibilidade da levodopa para o cérebro e contribui para um controle mais estável dos sintomas.
Diferentemente dos comprimidos, que precisam ser administrados diversas vezes ao longo do dia, a foslevodopa utiliza um sistema de infusão subcutânea contínua, com o objetivo de reduzir as variações nos níveis de levodopa no organismo.
Pró-droga, foscarbidopa e infusão subcutânea contínua
Na prática, o tratamento é realizado por meio de uma bomba portátil, utilizada pelo paciente durante o dia. Uma pequena cânula é posicionada sob a pele e libera a medicação continuamente, conforme a programação definida pela equipe médica.
A diferença em relação à levodopa oral está principalmente na forma como o medicamento é disponibilizado ao organismo. Os comprimidos podem gerar oscilações entre períodos de maior e menor concentração da medicação, favorecendo as chamadas flutuações motoras.
Com a infusão contínua, busca-se manter níveis mais estáveis de levodopa, contribuindo para reduzir períodos off — momentos em que os sintomas retornam ou pioram — e diminuir o impacto das discinesias, que são movimentos involuntários associados ao tratamento prolongado com levodopa.
O que significa a aprovação da Anvisa em 2026?
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável por avaliar a qualidade, a segurança e a eficácia dos medicamentos antes da autorização para comercialização no Brasil.
A aprovação da foslevodopa indica que os dados apresentados passaram por análise regulatória e demonstraram eficácia e segurança dentro dos critérios exigidos para pacientes em estágios avançados, especialmente aqueles com flutuações motoras não controladas pelo tratamento convencional.
Esse processo representa a ampliação das opções terapêuticas disponíveis para pacientes que precisam de estratégias além da administração oral de medicamentos.
Quando a foslevodopa estará disponível no Brasil?
A aprovação pela Anvisa é uma etapa importante, mas não significa disponibilidade imediata para todos os pacientes.
Após o registro do medicamento, ainda podem ocorrer etapas relacionadas à importação, distribuição, comercialização e acesso por diferentes sistemas de saúde. Por isso, a disponibilidade tende a acontecer de forma progressiva, especialmente em centros especializados no acompanhamento de pacientes com Distúrbios do Movimento.
O acompanhamento com um neurologista permite avaliar quando essa terapia pode ser considerada dentro do plano terapêutico de cada paciente.
Para quais pacientes a foslevodopa pode ser indicada?
A foslevodopa pode ser recomendada para pacientes com doença de Parkinson em estágio avançado que apresentam flutuações motoras importantes e que não obtêm controle adequado dos sintomas apenas com medicamentos administrados por via oral.
A indicação não depende apenas do tempo de diagnóstico, mas de uma análise completa da evolução da doença, da resposta às medicações utilizadas e do impacto dos sintomas na rotina.
Nem todos os pacientes com Parkinson precisam de terapias avançadas. A escolha deve ser feita após uma avaliação especializada, considerando os benefícios esperados, possíveis riscos e os objetivos de cada pessoa.
Quando o tratamento oral pode deixar de ser suficiente?
Com a evolução da doença de Parkinson, alguns pacientes podem apresentar mudanças na resposta aos medicamentos. Entre os sinais que indicam a necessidade de uma nova avaliação estão:
- Períodos off frequentes, com retorno dos sintomas antes da próxima dose;
- Necessidade de aumentar a frequência das tomadas de levodopa para manter o controle dos sintomas;
- Discinesias que interferem nas atividades diárias;
- Dificuldade progressiva para manter autonomia e funcionalidade na rotina.
Essas alterações não significam automaticamente que a foslevodopa seja a melhor opção, mas indicam a importância de uma reavaliação com um neurologista especialista para definir a estratégia terapêutica mais adequada.
A foslevodopa reduz períodos off e discinesias?
Um dos principais objetivos da foslevodopa é manter níveis mais estáveis de levodopa no organismo, reduzindo as oscilações relacionadas ao tratamento convencional por comprimidos.
Estudos clínicos demonstraram redução do tempo em período off e aumento do tempo em estado on sem discinesias incapacitantes em pacientes selecionados.
Entretanto, a resposta ao tratamento varia conforme as características clínicas de cada pessoa, a evolução da doença e os ajustes realizados durante o acompanhamento neurológico.
O que são períodos on e off na doença de Parkinson?
Os períodos on correspondem aos momentos em que a medicação está produzindo o efeito esperado, permitindo melhor controle dos sintomas motores e maior facilidade para realizar atividades do dia a dia.
Já os períodos off acontecem quando o efeito da levodopa diminui, levando ao retorno ou piora de sintomas como tremor, rigidez e lentidão dos movimentos.
Essa alternância pode ocorrer diversas vezes ao longo do dia e interferir na autonomia, na funcionalidade e na qualidade de vida do paciente.
A foslevodopa substitui o DBS?
Nem sempre. A foslevodopa e a Estimulação Cerebral Profunda (Deep Brain Stimulation — DBS) são terapias avançadas utilizadas em pacientes selecionados com doença de Parkinson em estágios avançados, mas apresentam mecanismos de ação e indicações diferentes.
Enquanto a foslevodopa atua por meio da infusão contínua de levodopa, buscando maior estabilidade no controle dos sintomas, o DBS é um procedimento cirúrgico que utiliza estímulos elétricos para modular circuitos cerebrais relacionados aos sintomas motores.
Por isso, uma abordagem não substitui a outra. A escolha depende de uma avaliação individualizada, considerando o perfil clínico, a evolução da doença e os objetivos de cada paciente.
Como o neurologista define a melhor opção?
A decisão entre foslevodopa e DBS considera diferentes fatores, como:
- Estágio da doença;
- Intensidade das flutuações motoras;
- Presença e impacto das discinesias;
- Condições clínicas gerais;
- Função cognitiva;
- Expectativas e objetivos individuais de cada paciente.
A definição deve ser realizada por um neurologista, após avaliação completa do quadro.
O que muda para o paciente após a aprovação da foslevodopa?
A aprovação da foslevodopa pela Anvisa representa uma nova possibilidade terapêutica para pacientes selecionados que apresentam flutuações motoras importantes e necessitam de alternativas além do tratamento convencional.
A disponibilidade de uma nova abordagem amplia as opções de cuidado, mas a indicação continua dependendo de uma avaliação especializada, considerando as características de cada paciente.

FAQ — Perguntas frequentes sobre foslevodopa no Brasil
A foslevodopa já está disponível para uso clínico no Brasil?
A aprovação pela Anvisa representa uma etapa fundamental para a chegada do medicamento ao país, mas a disponibilidade comercial depende de processos como distribuição, acesso e organização dos serviços responsáveis pelo tratamento. A oferta tende a ocorrer inicialmente em centros especializados no acompanhamento de pacientes com Distúrbios do Movimento.
Qual é a diferença entre foslevodopa e levodopa em comprimidos?
A principal diferença está na forma de administração. Enquanto a levodopa oral pode gerar variações na concentração do medicamento ao longo do dia, a foslevodopa é administrada por infusão subcutânea contínua, buscando manter níveis mais estáveis da medicação no organismo.
A foslevodopa cura a doença de Parkinson?
Não. A doença de Parkinson ainda não possui cura. A foslevodopa é uma terapia voltada ao controle dos sintomas em pacientes selecionados, com o objetivo de reduzir flutuações motoras e contribuir para melhora da funcionalidade e qualidade de vida.
O tratamento poderá ser coberto por planos de saúde ou pelo SUS?
A disponibilidade por diferentes sistemas de saúde depende de processos regulatórios, decisões de incorporação e negociações específicas. O acesso pode variar conforme a evolução desses processos e a indicação médica individual de cada paciente.
Como definir a melhor estratégia de tratamento
A foslevodopa amplia as possibilidades de tratamento para pacientes selecionados com doença de Parkinson em estágios avançados e flutuações motoras importantes.
A definição pela terapia considera o quadro clínico, a resposta aos tratamentos anteriores e os objetivos de cada paciente.
O Dr. Rubens Cury, neurologista especialista em Distúrbios do Movimento e Professor Livre-Docente da Universidade de São Paulo, realiza uma avaliação especializada para identificar a abordagem mais adequada para cada caso.
A escolha do tratamento deve unir conhecimento técnico, experiência clínica e uma análise individualizada das necessidades de cada pessoa.
Dr. Rubens Cury
Neurologista Especialista em Parkinson
Professor Livre-docente da Universidade de São Paulo
CRM-SP: 131.445
RQE: 64.840
Médico Neurologista especialista em doença de Parkinson, Tremor Essencial, Distonia, e Estimulação
Cerebral Profunda (DBS, deep brain stimulation). Possui doutorado em Neurologia pela USP, pós-doutorado em
Neurologia pela USP e Universidade de Grenoble, na França, e é Professor Livre-Docente pela USP.
Registro
CRM-SP 131445 | RQE 64840