DBS no Parkinson: como funciona, quem é candidato e o que esperar da cirurgia

Postado em: 17/08/2026

DBS no Parkinson: como funciona, quem é candidato e o que esperar da cirurgia

Quando o tratamento medicamentoso deixa de oferecer resposta satisfatória no controle dos sintomas da doença de Parkinson, é comum surgirem dúvidas sobre as próximas alternativas terapêuticas. Nesse contexto, a Estimulação Cerebral Profunda (DBS) pode ser uma opção em pacientes cuidadosamente selecionados.

Considerada um dos principais avanços no manejo da condição, a cirurgia DBS não tem finalidade curativa. Seu objetivo é melhorar o controle motor, reduzir as flutuações associadas ao uso da levodopa e contribuir para maior autonomia, funcionalidade e qualidade de vida.

Ao longo deste conteúdo, você vai entender como funciona o DBS, em quais situações pode ser indicado, quais critérios são avaliados e o que esperar antes, durante e após o procedimento.

Quando o DBS é indicado na doença de Parkinson?

A Estimulação Cerebral Profunda (DBS) não costuma ser recomendada nas fases iniciais da doença. Em geral, é considerada quando a terapia medicamentosa, mesmo após ajustes realizados pelo neurologista, já não proporciona controle adequado dos sintomas motores.

Quando essas oscilações passam a impactar a autonomia, o desempenho funcional e o bem-estar, pode-se indicar uma avaliação especializada para definir se o DBS é uma opção adequada.

Quando os medicamentos deixam de ter efeito estável

A levodopa permanece como base do tratamento da doença de Parkinson. No entanto, com a progressão da condição, seu efeito pode se tornar menos previsível.

O paciente pode alternar períodos de boa resposta — conhecidos como “on” — com fases em que o efeito diminui e reaparecem rigidez, lentidão, tremor e dificuldade de locomoção, chamados de períodos “off”.

Em alguns casos, surgem também discinesias, caracterizadas por movimentos involuntários relacionados ao pico de ação da medicação.

Quando essas variações passam a interferir de forma significativa na rotina, pode-se considerar a avaliação para terapias avançadas, como o DBS.

Quem pode ser candidato ao DBS?

A indicação é sempre individualizada e baseada em avaliação detalhada por um neurologista especialista em Parkinson.

De forma geral, o procedimento pode ser considerado em pacientes que apresentam:

  • Diagnóstico confirmado de doença de Parkinson;
  • Boa resposta prévia à levodopa, ainda que menos estável ao longo do tempo;
  • Flutuações motoras com períodos “off” frequentes;
  • Discinesias que impactam a rotina diária.

A resposta à levodopa é um dos critérios mais relevantes, pois indica preservação dos circuitos cerebrais que podem responder à estimulação.

Situações em que o DBS não é recomendado

Embora seja uma estratégia segura quando bem indicada, o DBS não é apropriado para todos os casos.

Entre as principais restrições estão:

  • Comprometimento cognitivo significativo ou demência;
  • Transtornos psiquiátricos graves e não controlados;
  • Condições clínicas que aumentem o risco cirúrgico;
  • Ausência de resposta relevante à levodopa.

Como funciona o DBS no Parkinson?

A Estimulação Cerebral Profunda (DBS) atua modulando circuitos cerebrais envolvidos no controle dos movimentos, que se encontram desregulados na doença de Parkinson.

O tratamento envolve a implantação de eletrodos em regiões específicas do cérebro, conectados a um gerador programável de impulsos elétricos.

Diferentemente de técnicas ablativas, o DBS não destrói estruturas cerebrais. Ele modula a atividade neural por meio de estímulos elétricos contínuos e ajustáveis.

Implantação dos eletrodos cerebrais

Os eletrodos são posicionados com alta precisão em regiões profundas do cérebro, escolhidas de acordo com as características clínicas de cada paciente.

O planejamento é feito com base em exames de imagem detalhados e em sistemas de navegação estereotáxica, que permitem localizar essas estruturas com precisão milimétrica.

Em algumas situações, o procedimento pode ser realizado com o paciente acordado em parte do tempo, o que possibilita avaliar a resposta clínica em tempo real e confirmar o melhor posicionamento dos eletrodos.

Funcionamento do gerador de impulsos

Após o posicionamento dos eletrodos, um gerador de pulsos elétricos é implantado sob a pele, geralmente na região infraclavicular.

O dispositivo, semelhante a um marcapasso, é conectado aos eletrodos por extensões subcutâneas. Sua função é emitir estímulos contínuos e programáveis, modulando os circuitos envolvidos nos sintomas motores.

Ajustes após o procedimento

Uma das principais vantagens do DBS é a possibilidade de ajustes sem necessidade de nova intervenção cirúrgica.

Após a recuperação, o neurologista realiza a programação do dispositivo de forma individualizada, ajustando parâmetros como intensidade e frequência da estimulação.

Os parâmetros podem ser ajustados ao longo do acompanhamento, buscando o melhor equilíbrio entre controle dos sintomas e efeitos adversos. O processo faz parte do tratamento contínuo da doença de Parkinson.

Quais são os riscos e a segurança do DBS?

Como qualquer procedimento cirúrgico, o DBS envolve riscos. Ainda assim, quando realizado em centros especializados e após uma avaliação criteriosa, é considerado uma técnica segura e com eficácia bem estabelecida em pacientes com doença de Parkinson.

Antes da indicação, o neurologista e a equipe multidisciplinar explicam de forma detalhada os benefícios esperados, as possíveis complicações e os cuidados necessários em cada etapa do tratamento.

Principais riscos do procedimento

As complicações são pouco frequentes, mas fazem parte da análise prévia.

Entre as principais estão:

  • Infecção relacionada ao implante;
  • Sangramento intracraniano;
  • Complicações anestésicas;
  • Deslocamento ou falha dos componentes do sistema.

Embora incomuns, esses eventos podem variar conforme o perfil clínico de cada paciente e a complexidade do caso.

O DBS pode causar efeitos colaterais?

Após a implantação, alguns pacientes podem apresentar efeitos relacionados à estimulação elétrica, como:

  • Alterações na fala;
  • Sensação de formigamento;
  • Instabilidade do equilíbrio;
  • Alterações de humor em situações específicas.

Na maioria dos casos, esses efeitos são controlados por meio de ajustes na programação do dispositivo, sem necessidade de nova intervenção.

O que esperar após o DBS?

A recuperação após a Estimulação Cerebral Profunda (DBS) ocorre de forma progressiva e exige um período de adaptação até que o tratamento atinja seu melhor desempenho.

Os benefícios não costumam ser imediatos, pois dependem da programação inicial e dos ajustes realizados ao longo do acompanhamento.

Como é o período de recuperação?

Nos primeiros dias após o procedimento, o paciente permanece em observação hospitalar para monitoramento da recuperação.

Após a alta, são iniciadas consultas periódicas para:

  • Programação do estimulador;
  • Ajustes da estimulação;
  • Revisão das medicações;
  • Avaliação da evolução clínica.

Durante essa fase, ajustes progressivos são comuns até se alcançar a configuração mais adequada para cada caso.

Como é o acompanhamento a longo prazo?

O DBS não elimina a necessidade de seguimento médico contínuo. Como a doença de Parkinson é progressiva, o tratamento precisa ser reavaliado periodicamente para manter o melhor controle possível dos sintomas.

Nas consultas de rotina, o neurologista avalia:

  • Funcionamento do estimulador;
  • Necessidade de ajustes na programação;
  • Resposta clínica ao tratamento;
  • Adequação das medicações.

Esse acompanhamento é essencial para manter os benefícios ao longo dos anos.

Por que a avaliação especializada é fundamental?

A indicação da Estimulação Cerebral Profunda (DBS) depende de uma análise criteriosa realizada por um neurologista especialista em Parkinson.

Essa avaliação considera:

  • Estágio da doença;
  • Resposta à levodopa;
  • Presença de flutuações motoras;
  • Estado cognitivo;
  • Condições clínicas gerais;
  • Expectativas e objetivos do paciente.

Somente após essa análise é possível definir se o DBS é a melhor opção terapêutica em termos de segurança e benefício.

FAQ — Perguntas frequentes sobre o DBS 

O DBS cura a doença de Parkinson?

Não. O DBS não cura a doença nem interrompe sua progressão.

Quanto tempo duram os benefícios?

Os benefícios podem se manter por muitos anos, desde que haja acompanhamento regular e ajustes na programação do dispositivo. Como a doença evolui ao longo do tempo, o tratamento também precisa ser adaptado.

O dispositivo pode ser desligado ou removido?

Sim. O DBS é um tratamento ajustável e reversível. O sistema pode ser reprogramado, desligado ou removido quando houver orientação médica.

Existe idade limite para o procedimento?

Não existe idade máxima definida. A indicação depende principalmente das condições clínicas, cognitivas e funcionais, além do potencial de benefício esperado. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Quando procurar avaliação especializada?

A Estimulação Cerebral Profunda (DBS) é uma alternativa para pacientes selecionados e deve ser indicada após avaliação com especialista em doença de Parkinson.

O Dr. Rubens Cury é neurologista, Livre-Docente pela USP, especialista em Distúrbios do Movimento e referência em doença de Parkinson e do DBS. 

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Dr. Rubens Cury
Neurologista Especialista em Parkinson
Professor Livre-docente da Universidade de São Paulo
CRM-SP: 131.445
RQE: 64.840

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INFORMAÇÕES DO AUTOR:

Dr. Rubens Cury

Neurologista especialista em doença de Parkinson e Tremores

Médico Neurologista especialista em doença de Parkinson, Tremor Essencial, Distonia, e Estimulação Cerebral Profunda (DBS, deep brain stimulation). Possui doutorado em Neurologia pela USP, pós-doutorado em Neurologia pela USP e Universidade de Grenoble, na França, e é Professor Livre-Docente pela USP.
Registro CRM-SP 131445 | RQE 64840

Dr. Rubens Cury Neurologista
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