HIFU ou DBS para tremor: como o neurologista define o melhor tratamento?
Postado em: 21/09/2026

Conviver com um tremor que interfere em atividades diárias, como escrever, alimentar-se ou trabalhar, pode gerar dúvidas quando os medicamentos deixam de oferecer controle adequado dos sintomas.
Nessas situações, alguns pacientes podem ser avaliados para terapias avançadas, como o Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade (HIFU) e a Estimulação Cerebral Profunda (DBS). Mesmo com o objetivo de reduzir o impacto do tremor, essas técnicas apresentam mecanismos de ação e indicações diferentes.
A escolha entre o HIFU e o DBS depende de uma avaliação individualizada, considerando o diagnóstico, o tipo de tremor, o impacto dos sintomas na rotina e a resposta aos tratamentos anteriores.
Neste artigo, você vai entender as diferenças entre essas abordagens e quais fatores orientam a decisão do neurologista.
Quando considerar tratamentos avançados para o tremor?
Nem todas as pessoas com tremor precisam de procedimentos como HIFU ou DBS. Essas alternativas costumam ser consideradas quando os medicamentos não oferecem controle satisfatório dos sintomas ou quando os efeitos colaterais limitam seu uso.
A recomendação depende de uma avaliação neurológica detalhada, que considera o diagnóstico, a intensidade das manifestações, o impacto no cotidiano e as condições clínicas de cada paciente.
Falha ou intolerância aos medicamentos
O tratamento medicamentoso geralmente representa a primeira abordagem para o controle do tremor. Em alguns casos, porém, os sintomas permanecem limitantes mesmo após ajustes terapêuticos, ou os efeitos adversos dificultam a manutenção da medicação.
Nessas situações, o neurologista pode avaliar outras possibilidades, incluindo procedimentos avançados, considerando os benefícios, riscos e objetivos do paciente.
Impacto do tremor na autonomia e qualidade de vida
A indicação de uma terapia avançada está relacionada ao impacto funcional causado pelo tremor.
Dificuldades para escrever, segurar objetos, alimentar-se ou realizar atividades profissionais podem comprometer a independência e o bem-estar. Quando essas limitações são persistentes, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar quais alternativas podem fazer parte do plano de cuidado.
Diferenças entre tremor essencial e doença de Parkinson
O diagnóstico é um dos principais fatores considerados na escolha entre HIFU e DBS. Embora ambas as condições possam provocar tremor, apresentam características clínicas distintas.
No tremor essencial, a manifestação ocorre principalmente durante movimentos voluntários, como escrever, segurar objetos ou realizar atividades que exigem precisão. Já na doença de Parkinson, o tremor frequentemente ocorre em repouso e pode estar associado a outros sintomas motores, como lentidão dos movimentos e rigidez.
Essa diferenciação é fundamental porque o tipo de tremor, os sintomas associados e a evolução do quadro influenciam a escolha da abordagem terapêutica mais indicada para cada paciente.
Quais são as opções disponíveis: HIFU ou DBS?
O que é o Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade (HIFU)?
O Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade (HIFU) utiliza ondas de ultrassom direcionadas a uma região específica do cérebro envolvida nos circuitos do tremor.
A aplicação é guiada por ressonância magnética, permitindo localizar com precisão a área-alvo. A energia concentrada do ultrassom produz uma pequena lesão controlada em uma área específica, com o objetivo de modular os circuitos envolvidos no tremor.
A indicação do HIFU considera o tipo de tremor, o impacto dos sintomas na rotina e as características clínicas de cada paciente.
O que é a Estimulação Cerebral Profunda (DBS)?
A Estimulação Cerebral Profunda (Deep Brain Stimulation — DBS) é um procedimento cirúrgico que envolve o implante de eletrodos em regiões específicas do cérebro relacionadas aos sintomas motores.
Esses eletrodos são conectados a um gerador de impulsos implantado sob a pele, geralmente na região do tórax. O dispositivo envia estímulos elétricos que modificam a atividade de áreas cerebrais relacionadas ao tremor e a outros sintomas motores.
Uma das principais características do DBS é permitir ajustes dos parâmetros de estimulação ao longo do tempo, acompanhando a evolução clínica e as necessidades do paciente.
Como funciona cada procedimento na prática?
Passo a passo do HIFU
O HIFU é aplicado com o paciente acordado, dentro de um equipamento de ressonância magnética, que orienta a aplicação dos feixes de ultrassom na região definida pelo planejamento médico.
Durante o procedimento, a equipe acompanha a resposta clínica, realizando ajustes para alcançar a área-alvo com precisão e segurança.
A duração pode variar conforme cada caso. Após a aplicação, o paciente permanece em observação por um curto período e pode receber alta no mesmo dia ou conforme avaliação da equipe responsável.
Passo a passo do DBS
A Estimulação Cerebral Profunda é realizada por meio de uma cirurgia estereotáxica, com planejamento detalhado por exames de imagem para posicionamento dos eletrodos em regiões específicas do cérebro.
Após o implante cerebral, os eletrodos são conectados ao gerador de estímulos, geralmente localizado na região do tórax. Posteriormente, inicia-se a programação do dispositivo, permitindo ajustes dos parâmetros conforme a resposta clínica.
O acompanhamento neurológico faz parte do tratamento, pois permite avaliar a evolução dos sintomas e realizar modificações quando necessário.
Quais são os riscos e a segurança de HIFU e DBS?
Tanto o HIFU quanto o DBS exigem indicação criteriosa e avaliação individualizada. Como qualquer abordagem médica, podem apresentar riscos, que devem ser analisados pelo neurologista conforme o perfil clínico de cada paciente.
A decisão terapêutica considera fatores como diagnóstico, intensidade dos sintomas, condições gerais de saúde, objetivos do tratamento e equilíbrio entre benefícios esperados e possíveis efeitos adversos.
Possíveis efeitos adversos do HIFU
Entre os possíveis efeitos após o procedimento estão:
- Formigamento ou alteração de sensibilidade;
- Instabilidade para caminhar;
- Alterações de equilíbrio;
- Mudanças temporárias na coordenação ou na fala.
Em alguns casos, esses sintomas podem apresentar melhora progressiva após o procedimento. Por isso, a seleção criteriosa dos candidatos e o acompanhamento especializado são fundamentais para a segurança da abordagem.
Possíveis riscos do DBS
Como envolve cirurgia, existem riscos relacionados ao procedimento, como infecção, sangramento e necessidade de ajustes ou substituição de componentes ao longo do tempo.
Uma das características do DBS é permitir modificações na estimulação conforme a resposta clínica e a evolução dos sintomas.
Como é a recuperação após HIFU e DBS?
Recuperação após HIFU
Após o HIFU, o paciente permanece em observação por um curto período e, em muitos casos, recebe alta no mesmo dia. A redução do tremor pode ser percebida durante o procedimento, mas a evolução dos resultados deve ser acompanhada nas semanas seguintes.
Recuperação após DBS
Após o DBS, ocorre um período inicial de recuperação relacionado ao procedimento cirúrgico. Com a cicatrização, inicia-se a programação do dispositivo, com ajustes dos parâmetros de estimulação conforme a resposta clínica do paciente.
O acompanhamento neurológico ao longo do tempo permite adaptar a programação conforme a evolução dos sintomas.
Quando considerar HIFU ou DBS?
A escolha entre HIFU e DBS não depende apenas da intensidade do tremor. O neurologista considera o diagnóstico, os sintomas associados, o impacto funcional e os objetivos de cada pessoa.
Quando o HIFU pode ser considerado?
O HIFU pode ser uma opção para pacientes selecionados, especialmente aqueles com tremor essencial predominante, impacto significativo na rotina e resposta insuficiente aos medicamentos.
Também pode ser uma alternativa para pacientes que apresentam indicação para um procedimento sem implante de dispositivos, desde que as características clínicas sejam compatíveis com essa abordagem.
A indicação depende de uma avaliação detalhada, considerando riscos, benefícios e expectativas em relação aos resultados.
Quando o DBS pode ser considerado?
O DBS pode ser recomendado em diferentes situações, incluindo pacientes com tremor mais complexo, sintomas em ambos os lados do corpo ou necessidade de ajustes terapêuticos ao longo do tempo.
Na doença de Parkinson, o DBS pode ser considerado quando existem outros sintomas motores além do tremor que apresentam resposta esperada ao tratamento.
A possibilidade de programação contínua do dispositivo é uma característica importante na escolha dessa abordagem em determinados perfis clínicos.
Quando procurar um especialista em Distúrbios do Movimento?
O acompanhamento com um neurologista especialista em Distúrbios do Movimento é indicado quando o tremor continua impactando a rotina apesar do tratamento medicamentoso ou quando os efeitos adversos das medicações dificultam sua continuidade.
A avaliação especializada permite confirmar o diagnóstico, revisar as opções terapêuticas e identificar se abordagens como HIFU ou DBS podem ser consideradas.
A decisão deve levar em conta não apenas o controle do tremor, mas também a saúde geral, a autonomia e os objetivos de cada paciente.

FAQ — Perguntas frequentes sobre HIFU e DBS para tremor
O HIFU cura o tremor essencial?
Não. O HIFU pode reduzir o tremor, mas não elimina a causa da condição, que apresenta evolução variável entre os pacientes. O objetivo do procedimento é melhorar o controle dos sintomas e contribuir para maior funcionalidade nas tarefas habituais.
O DBS é permanente?
O DBS utiliza um dispositivo implantado que pode permanecer por longo prazo. Entretanto, os parâmetros de estimulação podem ser ajustados conforme a evolução clínica. Alguns componentes do sistema podem precisar de substituição ao longo do tempo, dependendo do tipo de dispositivo usado e das configurações de estimulação.
A idade define se o paciente pode fazer HIFU ou DBS?
Não. A idade, isoladamente, não determina a indicação de um procedimento. A decisão considera a condição clínica geral, presença de outras doenças, estado cognitivo, características do tremor e possíveis riscos envolvidos.
O papel do neurologista na escolha entre HIFU e DBS
A escolha entre HIFU e DBS deve ser baseada em uma avaliação neurológica detalhada, considerando o diagnóstico, a evolução dos sintomas e o impacto do tremor na rotina.
O Dr. Rubens Cury, neurologista especialista em Distúrbios do Movimento e Professor Livre-Docente da Universidade de São Paulo, realiza uma análise individualizada para definir quais opções terapêuticas podem ser consideradas em cada caso.
Se o tremor continua limitando atividades diárias ou existem dúvidas sobre novas possibilidades de tratamento, uma avaliação especializada pode ajudar a compreender o quadro e orientar a melhor conduta para cada caso.
Dr. Rubens Cury
Neurologista Especialista em Parkinson
Professor Livre-docente da Universidade de São Paulo
CRM-SP: 131.445
RQE: 64.840
Médico Neurologista especialista em doença de Parkinson, Tremor Essencial, Distonia, e Estimulação
Cerebral Profunda (DBS, deep brain stimulation). Possui doutorado em Neurologia pela USP, pós-doutorado em
Neurologia pela USP e Universidade de Grenoble, na França, e é Professor Livre-Docente pela USP.
Registro
CRM-SP 131445 | RQE 64840