Dor na doença de Parkinson: como aliviar

Postado em: 24/11/2025

No conteúdo de hoje, vou abordar as principais características da dor na doença de Parkinson e como tratá-la. Esse é um sintoma recorrente entre pacientes, sendo importante discuti-lo para encontrar as estratégias de gerenciamento adequadas em cada caso.

Convido você a continuar a leitura para saber mais!

Quais são os sintomas da doença de Parkinson?

De forma resumida, a doença de Parkinson é caracterizada por uma perda progressiva de neurônios produtores de dopamina em uma região cerebral chamada substância negra. Três sinais centrais constituem o chamado parkinsonismo: tremor, lentidão dos movimentos ou bradicinesia, e rigidez.

Além dos sinais centrais da doença de Parkinson, várias outras alterações motoras podem se desenvolver nos pacientes, como alteração da fala (o volume fica mais baixo), alteração do equilíbrio e redução da escrita (que chamamos de micrografia).

Assim, além dos sintomas motores, o conhecimento de sintomas não motores associados à doença de Parkinson, como alterações cognitivas, psiquiátricas, autonômicas e alterações da sensibilidade e dor, tem crescido exponencialmente nos últimos anos. 

A presença de alguns desses sintomas pode, inclusive, vir antes dos sintomas motores e muitas vezes é responsável por um importante prejuízo na funcionalidade dos pacientes.

Na doença de Parkinson, alguns sintomas podem aparecer meses ou até anos antes dos sintomas motores

Depressão, intestino preso, alteração do olfato e dor muscular são alguns exemplos que podem anteceder o diagnóstico definitivo da doença.

Quais as características da dor na doença de Parkinson?

Diversos estudos epidemiológicos demonstraram que a dor afeta entre 40% a 85% dos pacientes com doença de Parkinson

Em um estudo realizado pelo nosso grupo no Hospital das Clínicas, 70% dos pacientes apresentavam dor.

A dor, no geral, afeta o lado mais comprometido pela doença. Por exemplo: em pacientes cujo tremor e rigidez estão presentes no lado direito do corpo, a dor costuma afetar o ombro ou a perna desse mesmo lado.

Ela geralmente tem aspecto de dor muscular, em peso, e pode flutuar ao longo do dia: em momentos que o paciente está bem controlado do Parkinson, a dor melhora; em momentos em que está mais travado, a dor piora.

Essa oscilação demonstra a estreita relação entre a progressão dos sintomas motores e a percepção dolorosa, sendo fundamental avaliar cada paciente individualmente para oferecer um tratamento personalizado.

Quais os locais mais acometidos pela dor na doença de Parkinson?

Teoricamente, a dor pode afetar qualquer local do corpo, mas as regiões mais acometidas são a região lombar, seguida dos membros superiores (em especial o ombro) e das pernas.

A dor lombar é particularmente comum e pode ser debilitante, limitando a mobilidade e a capacidade de realizar atividades diárias.

Nos membros superiores, o ombro é frequentemente afetado, o que pode dificultar tarefas simples do dia a dia, como levantar os braços ou carregar objetos.

As pernas também são locais comuns de dor, o que pode impactar a capacidade de caminhar e se locomover com independência.

Além disso, a dor pode acometer a região do pescoço, principalmente a parte posterior. A dor cervical pode ser bastante incômoda e prejudicar o sono, já que essa área é essencial para o suporte da cabeça e dos movimentos básicos.

Em alguns pacientes, a dor aparece no período da manhã, logo ao acordar. Isso ocorre porque, muitas vezes, esse é o pior momento da doença: os remédios foram tomados na noite anterior e a rigidez matinal se instala, tornando a dor mais intensa.

Como tratar a dor no Parkinson?

Antes de mais nada, é essencial reconhecer se a dor está relacionada à doença de Parkinson ou não. Existem dores que podem não ter qualquer relação com a doença, como a cefaleia em alguns casos.

Uma vez definido que a dor tem relação, o primeiro passo é otimizar as medicações do Parkinson. Em muitos casos, apenas o ajuste da dose ou do tipo de remédio já reduz significativamente a dor.

Os principais medicamentos utilizados incluem:

  • Levodopa (Prolopa);
  • Agonistas dopaminérgicos (como Pramipexol e Rotigotina/Neupro);
  • Rasagilina (Azilect);
  • Safinamida (Xadago).

Além disso, outras medidas complementares ajudam no alívio da dor:

  • Reabilitação motora com fisioterapia: alongamentos e exercícios posturais auxiliam no controle da rigidez e dores musculares.
  • Ajuste postural: corrigir a postura pode prevenir dores crônicas.
  • Atividade física aeróbica: caminhadas, bicicleta, natação e exercícios regulares ajudam no controle da dor e na qualidade de vida.
  • Acupuntura: útil principalmente em dores lombares e musculares.
  • Uso de analgésicos ou anti-inflamatórios, quando indicado pelo médico.
  • Antidepressivos: podem ser prescritos em alguns casos, pois atuam tanto no humor quanto na percepção da dor.

Quais os riscos da dor no Parkinson?

O impacto da dor na vida dos pacientes com Parkinson vai muito além do aspecto físico. Ela interfere no sono, na mobilidade, na autonomia e até no humor, podendo aumentar os riscos de depressão e ansiedade.

Por isso, reconhecer e tratar adequadamente esse sintoma é tão importante quanto controlar tremores ou rigidez. 

A abordagem deve ser sempre multidisciplinar, envolvendo neurologistas, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, quando necessário.

FAQ 

1. Por que sinto dor com Parkinson?

A dor é causada pela combinação da rigidez muscular, postura alterada e disfunção da dopamina no cérebro, que modifica a percepção da dor.

2. Como aliviar a dor causada pelo Parkinson?

O tratamento envolve ajuste da medicação, fisioterapia, exercícios físicos regulares, correção postural, acupuntura e, em alguns casos, uso de analgésicos recomendados pelo médico.

3. Existem tratamentos para dor no Parkinson?

Sim. Há tratamentos medicamentosos (como Levodopa e agonistas dopaminérgicos) e não medicamentosos (fisioterapia, acupuntura, atividade física). O ideal é um plano personalizado.

4. Quando procurar ajuda médica?

Sempre que a dor for intensa, persistente, atrapalhar atividades diárias ou não melhorar com as medidas convencionais. O neurologista deve ser consultado.

5. A dor é comum em todos os pacientes com Parkinson?

Não em todos, mas estudos mostram que entre 40% e 85% dos pacientes apresentam dor em algum momento da evolução da doença.

6. O Parkinson causa dor muscular apenas em um lado do corpo?

Na maioria dos casos, sim. A dor costuma ser mais intensa no lado mais afetado pelos sintomas motores.

7. Existe relação entre a dor e a progressão da doença?

Sim. A dor pode surgir em fases iniciais ou mais avançadas, e muitas vezes flutua conforme os sintomas motores pioram ou melhoram.

8. A dor no Parkinson é apenas muscular?

Não. Ela pode ser muscular, articular, cervical, lombar ou mesmo neuropática.

9. A fisioterapia realmente ajuda na dor do Parkinson?

Sim. Alongamentos, exercícios de fortalecimento e ajustes posturais são fundamentais no controle da dor.

A dor na doença de Parkinson é um sintoma frequente, mas muitas vezes negligenciado. Ela pode impactar profundamente a qualidade de vida, dificultando atividades simples e aumentando o sofrimento físico e emocional. Com o reconhecimento desse sintoma e um plano de tratamento personalizado, é possível reduzir significativamente essa dor e devolver mais autonomia e bem-estar ao paciente.

Se você convive com dor relacionada ao Parkinson, venha conversar sobre as melhores opções de tratamento para o seu caso! Entre em contato pelo WhatsApp e agende seu horário.

Fonte:

Effects of deep brain stimulation on pain and other nonmotor symptoms in Parkinson disease. Cury RG et al. Neurology.

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Dr. Rubens Cury Neurologista
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