Doença de Parkinson: uma outra pandemia?
Postado em: 17/04/2026
Hoje, mais de 8,5 milhões de pessoas vivem com a doença de Parkinson no mundo. As projeções indicam que esse número pode dobrar até 2040. Diante desse crescimento expressivo e contínuo, alguns especialistas passaram a usar a expressão “outra pandemia”, porque seu avanço global é rápido, silencioso e preocupante.
Entender por que os casos estão aumentando, quais fatores podem estar associados e quando procurar avaliação médica são perguntas cada vez mais relevantes. O objetivo deste conteúdo é esclarecer essas questões.
Por que a doença de Parkinson está sendo chamada de “outra pandemia”?
Nas últimas três décadas, a incidência e a prevalência da doença de Parkinson cresceram mais do que qualquer outra doença neurológica. Dados de estudos de carga global de doenças mostram que o número de pessoas afetadas mais do que dobrou entre 1990 e 2016, e a tendência de crescimento se mantém.
Para entender a diferença: incidência é o número de casos novos por ano; prevalência é o total de pessoas que vivem com a doença em determinado momento. Ambos os indicadores estão em alta, o que sinaliza não apenas mais diagnósticos, mas também mais pessoas convivendo com a condição por períodos mais longos.
O crescimento é desproporcional quando comparado a outras doenças neurológicas, o que levou pesquisadores a questionar se o envelhecimento populacional seria suficiente para explicar esse fenômeno.
O envelhecimento explica sozinho o aumento dos casos?
O envelhecimento populacional é, sem dúvida, um fator relevante. A doença de Parkinson é mais comum acima dos 60 anos, e a população mundial está vivendo mais. Mas esse fator, isoladamente, não explica o ritmo do crescimento observado.
Estudos epidemiológicos mostram que o aumento proporcional de casos supera o crescimento da população idosa. Isso sugere que outros fatores (ambientais, comportamentais e possivelmente genéticos) também estão contribuindo para esse cenário.

Quais fatores ambientais podem estar associados à doença de Parkinson?
A doença de Parkinson resulta da perda progressiva de neurônios produtores de dopamina em uma região específica do cérebro. Embora a causa exata ainda não seja totalmente compreendida, estudos epidemiológicos identificaram alguns fatores ambientais associados ao maior risco de desenvolvê-la.
Poluição e industrialização aumentam o risco?
Estudos observacionais sugerem associação entre exposição a poluentes atmosféricos — como dióxido de nitrogênio (NO₂) — e maior incidência da doença. A exposição prolongada a pesticidas e solventes industriais também aparece com frequência como fator associado.
É importante destacar que esses dados indicam correlações que merecem atenção, mas não significam que toda pessoa exposta desenvolverá a doença.
Há fatores que parecem ter efeito protetor?
Alguns estudos identificaram associação entre certos hábitos e menor risco de desenvolver Parkinson. O consumo regular de cafeína e de alimentos ricos em flavonoides (como frutas vermelhas e chá verde) e a dieta mediterrânea aparecem como possíveis fatores protetores em algumas pesquisas.
De modo geral, manter uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física são reconhecidos como medidas que ajudam na saúde geral e neurológica.
Quais sinais devem chamar atenção para procurar um neurologista?
Conhecer o cenário epidemiológico é importante, mas há uma diferença entre preocupação com risco populacional e a presença de sintomas individuais. Os sinais mais comuns nos estágios iniciais da doença de Parkinson incluem:
- Tremor de repouso: tremor que aparece quando o membro está relaxado;
- Lentidão dos movimentos (bradicinesia);
- Rigidez muscular;
- Alterações no equilíbrio e na marcha.
Esses sintomas não confirmam o diagnóstico por si só, outras condições também podem causá-los. Por isso, a avaliação com um neurologista especialista é o caminho mais indicado diante de qualquer dúvida.
O que fazer diante desse aumento de casos?
Não existe uma forma comprovada de prevenir completamente a doença de Parkinson. No entanto, hábitos saudáveis com respaldo científico podem contribuir para a saúde neurológica de forma geral:
- Praticar atividade física regular;
- Manter uma alimentação equilibrada, com base em alimentos naturais;
- Evitar exposição prolongada a pesticidas, solventes e outros produtos químicos industriais quando possível;
- Realizar acompanhamento médico regular, especialmente após os 50 anos.
Esses cuidados não eliminam o risco, mas fazem parte de um estilo de vida que favorece o bem-estar a longo prazo.
FAQ — Perguntas Frequentes
A doença de Parkinson é contagiosa?
Não. A doença de Parkinson não é contagiosa e não se transmite de pessoa para pessoa. O termo “pandemia” é usado nesse contexto para descrever o crescimento global e acelerado dos casos.
Quem tem histórico familiar deve se preocupar mais?
A genética pode ter algum papel, especialmente em casos de início mais precoce. Porém, a maioria dos casos não segue um padrão hereditário direto. Ter um familiar com a doença aumenta o risco, mas não determina que a pessoa vai desenvolvê-la.
É possível reduzir o risco ao longo da vida?
Não há como eliminar completamente o risco. Mas manter hábitos saudáveis (atividade física, alimentação variada e acompanhamento médico regular) contribui para a saúde geral.
Avaliação especializada em doença de Parkinson
Apesar do crescimento global dos casos, cada situação é única. O aumento da prevalência da doença de Parkinson reforça a importância do diagnóstico e acompanhamento precoces, permitindo melhor controle dos sintomas e mais qualidade de vida.
Se você apresenta sintomas como tremor, lentidão ou rigidez, procure avaliação com um neurologista especialista em distúrbios do movimento. O Dr. Rubens Cury atende presencialmente em São Paulo ou por telemedicina para todo o Brasil.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada.
Dr. Rubens Cury
Neurologista Especialista em Parkinson
Professor Livre-docente da Universidade de São Paulo
CRM-SP: 131.445
RQE: 64.840
Médico Neurologista especialista em doença de Parkinson, Tremor Essencial, Distonia, e Estimulação
Cerebral Profunda (DBS, deep brain stimulation). Possui doutorado em Neurologia pela USP, pós-doutorado em
Neurologia pela USP e Universidade de Grenoble, na França, e é Professor Livre-Docente pela USP.
Registro
CRM-SP 131445 | RQE 64840