Sono na Doença de Parkinson: como reconhecer as principais alterações
Postado em: 20/04/2026
Dificuldade para dormir, acordar várias vezes durante a noite ou sentir muito sono durante o dia são queixas frequentes entre pessoas com doença de Parkinson. Esses problemas fazem parte de um grupo de manifestações chamadas sintomas não motores, e podem impactar significativamente a qualidade de vida do paciente.
Entender que o sono pode ser afetado pela doença é o primeiro passo para levar esse tema a suas próximas consultas. Este conteúdo explica quais são as alterações mais comuns e como reconhecê-las.
Por que o sono pode ser afetado na doença de Parkinson?
A doença de Parkinson não compromete apenas os movimentos. Ela também afeta regiões do cérebro envolvidas na regulação do ciclo sono-vigília. Isso ocorre porque a doença altera circuitos neurológicos que vão além do controle motor.
A dopamina — substância química fundamental para o funcionamento do sistema nervoso — desempenha papel importante não só nos movimentos, mas também na regulação do sono e do estado de alerta. Quando sua produção é reduzida, diversas funções podem ser alteradas, incluindo a qualidade do sono.
Por isso, as alterações do sono na doença de Parkinson não são coincidência nem sintoma isolado: elas fazem parte do quadro clínico da doença e merecem atenção.
Quais são as alterações do sono mais comuns no Parkinson?
As queixas relacionadas ao sono variam de pessoa para pessoa. As mais frequentes incluem:
- Insônia no Parkinson: dificuldade para iniciar ou manter o sono, com despertares frequentes ao longo da noite.
- Noctúria: necessidade de urinar várias vezes durante a noite, o que interrompe o descanso e aumenta o risco de quedas.
- Sonolência diurna excessiva: sensação intensa de sono durante o dia, que pode prejudicar atividades cotidianas e a segurança do paciente.
- Sonhos vívidos: episódios de sonhos muito intensos, que podem causar agitação durante o sono.
- Distúrbio comportamental do sono REM: encenação física de sonhos, com movimentos bruscos, gritos ou gestos involuntários durante a noite.
Distúrbio comportamental do sono REM: o que observar?
Nesse tipo de alteração, a pessoa age fisicamente enquanto sonha — pode gritar, gesticular, chutar ou até cair da cama. Em condições normais, o corpo permanece imóvel durante o sono REM; no distúrbio, esse mecanismo não funciona corretamente.
É comum que familiares ou parceiros percebam esses episódios antes do próprio paciente. Se isso acontece com frequência, é importante relatar ao médico responsável pelo acompanhamento.
Alterações do sono podem aparecer antes dos sintomas motores?
Sim, em alguns casos. O distúrbio comportamental do sono REM é um dos sintomas não motores que pode surgir anos antes do diagnóstico da doença de Parkinson, antes mesmo de tremor, lentidão ou rigidez aparecerem.
Isso não significa que toda pessoa com esse distúrbio desenvolverá Parkinson. No entanto, quando esse sinal aparece, especialmente em adultos acima de 50 anos, é recomendável buscar avaliação neurológica para investigação adequada.
Reconhecer esses sinais precocemente pode contribuir para um acompanhamento mais cuidadoso ao longo do tempo.
Quando procurar um neurologista por alterações do sono?
Nem todo problema de sono exige atenção imediata, mas alguns sinais indicam que a avaliação não deve ser adiada. Considere buscar orientação especializada se houver:
- Quedas da cama durante episódios de agitação noturna;
- Comportamentos agressivos involuntários durante o sono, com risco para o paciente ou para quem está ao lado;
- Sonolência diurna intensa que compromete atividades básicas ou a segurança ao dirigir;
- Múltiplos despertares noturnos com impacto importante no dia seguinte;
- Piora progressiva da qualidade do sono sem causa aparente.
O que pode ajudar nos primeiros passos?
Antes de qualquer intervenção específica, algumas medidas gerais podem contribuir para a qualidade do sono:
- Manter horários regulares para dormir e acordar, mesmo nos fins de semana;
- Criar um ambiente adequado para o sono: escuro, silencioso e com temperatura confortável;
- Evitar telas e estímulos intensos nas horas que antecedem o descanso;
- Conversar com o médico sobre as medicações em uso, já que alguns ajustes podem influenciar o sono;
- Investigar causas associadas, como apneia do sono, que pode coexistir com a doença de Parkinson.
O aprofundamento sobre abordagens clínicas e medicamentosas deve ser discutido diretamente com o neurologista, considerando o histórico e as necessidades de cada paciente.
FAQ — Perguntas frequentes
É normal acordar várias vezes à noite no Parkinson?
Sim, é uma queixa comum. No entanto, quando os despertares frequentes causam prejuízo importante ao descanso ou aumentam o risco de quedas ao se levantar à noite, é importante comunicar ao médico para avaliação.
Sonolência durante o dia pode ser causada pelos remédios?
Em alguns casos, sim. Determinadas medicações utilizadas no tratamento da doença de Parkinson podem influenciar o nível de alerta durante o dia. Qualquer ajuste, porém, deve ser feito exclusivamente com orientação médica.
Distúrbios do sono no Parkinson têm tratamento?
Existem abordagens clínicas eficazes para o manejo das alterações do sono na doença de Parkinson. O plano de cuidado é sempre individualizado, considerando o tipo de alteração, a fase da doença e o perfil de cada paciente.
Avaliação especializada em doença de Parkinson
As alterações do sono na doença de Parkinson são frequentes, reconhecíveis e, na maioria dos casos, manejáveis com o acompanhamento adequado. Identificar esses sinais é o primeiro passo para explicar ao médico o que está acontecendo.
Se você ou um familiar com doença de Parkinson apresenta alterações importantes do sono, agende uma consulta com o Dr. Rubens Cury, neurologista especialista em distúrbios do movimento.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica.
Dr. Rubens Cury
Neurologista Especialista em Parkinson
Professor Livre-docente da Universidade de São Paulo
CRM-SP: 131.445
RQE: 64.840
Médico Neurologista especialista em doença de Parkinson, Tremor Essencial, Distonia, e Estimulação
Cerebral Profunda (DBS, deep brain stimulation). Possui doutorado em Neurologia pela USP, pós-doutorado em
Neurologia pela USP e Universidade de Grenoble, na França, e é Professor Livre-Docente pela USP.
Registro
CRM-SP 131445 | RQE 64840