O que os pacientes com Parkinson querem dos remédios?

Postado em: 21/10/2025

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O que, de fato, as pessoas com Parkinson esperam dos remédios e das pesquisas científicas? Um artigo publicado no Journal of Parkinson’s Disease, importante revista europeia da área, trouxe reflexões valiosas sobre esse tema — e é justamente sobre elas que vamos conversar hoje.

Vou resumir as principais considerações do artigo e trazer reflexões essenciais para médicos e pacientes. Convido você a continuar a leitura para me acompanhar nessa conversa!

Por que a doença de Parkinson é considerada tão complexa?

Uma das primeiras observações destacadas pelo artigo é a enorme variabilidade da doença de Parkinson. Nenhum paciente é igual ao outro — os sintomas, a intensidade e a forma como se manifestam são tão únicos quanto flocos de neve. 

Isso torna o tratamento um verdadeiro desafio, já que não existem fórmulas prontas ou protocolos universais que funcionem para todos.

Essa diversidade se manifesta em vários aspectos: idade de início da doença, diferença entre homens e mulheres, presença ou não de tremores, impacto na fala, equilíbrio, cognição e até nas emoções. Por isso, o tratamento do Parkinson deve ser sempre individualizado e personalizado.

O que mais incomoda os pacientes com Parkinson?

De acordo com o artigo, as respostas dos pacientes mostram como as prioridades mudam de pessoa para pessoa

Em geral, os pacientes mais jovens (entre 40 e 60 anos) se sentem mais incomodados com os sintomas. Confira alguns dos pontos que apareceram na pesquisa.

O tremor e o impacto social

O tremor é, sim, uma queixa comum no Parkinson — mas, muitas vezes, o incômodo não está apenas na limitação física, e sim no impacto social. Muitos pacientes relatam constrangimento ou medo do olhar dos outros, mesmo quando conseguem realizar suas atividades normalmente.

A lentidão e a autonomia

A lentidão nos movimentos também é um ponto de preocupação, principalmente porque interfere na independência do paciente, dificultando atividades simples do dia a dia, como se vestir, caminhar ou dirigir.

Sintomas não motores

Além dos sintomas físicos, há também os sintomas não motores, que impactam de forma significativa a qualidade de vida: apatia, desânimo, dificuldades cognitivas, insônia, excesso de urina à noite e dores difusas. 

Esses sintomas, embora menos visíveis, podem ser até mais incapacitantes.

O que os pacientes mais desejam dos tratamentos

O que os pacientes realmente querem é melhor qualidade de vida. E, nesse sentido, os desejos se dividem em quatro grandes grupos de terapias ideais:

  1. Terapias que aliviem os sintomas — são as que existem hoje e ajudam a controlar tremores, rigidez e lentidão.
  2. Terapias que reduzam a progressão da doença — ainda inexistentes em termos farmacológicos, mas com evidências de benefício por meio de atividade física regular e alimentação saudável.
  3. Terapias que interrompam a doença — um sonho científico, que tem sido foco de muitas pesquisas.
  4. Terapias que revertam os danos já causados — o cenário mais improvável em um futuro próximo, mas que expressa o desejo de recuperar a vida como era antes do diagnóstico.

Outro ponto relevante é a necessidade de olhar também para quem ainda não tem Parkinson, mas apresenta alto risco de desenvolvê-lo.

Por exemplo, pessoas que têm sono REM muito vívido — que se mexem ou falam dormindo — podem estar em um grupo de risco. 

Para esses casos, o ideal seria que a medicina conseguisse intervir precocemente, com terapias preventivas antes mesmo que a doença se manifeste.

Enquanto isso não é possível, atividade física, sono de qualidade e alimentação equilibrada continuam sendo as melhores estratégias de prevenção conhecidas.

Perguntas frequentes 

1. A doença de Parkinson tem cura?

Ainda não. O tratamento atual busca controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

2. Todos os pacientes com Parkinson têm tremores?

Não. Alguns pacientes apresentam mais rigidez e lentidão do que tremores, por exemplo. Como comentado acima, os sintomas variam muito de pessoa para pessoa.

3. Os medicamentos param de funcionar com o tempo?

Eles podem perder eficácia parcial, o que exige ajustes médicos periódicos.

4. Atividade física ajuda no tratamento?

Sim. Exercícios regulares são essenciais para retardar a progressão dos sintomas.

5. O que causa a doença de Parkinson?

A causa exata ainda é desconhecida, mas envolve fatores genéticos e ambientais.

6. Como saber se tenho risco de desenvolver Parkinson?

Alterações no sono, especialmente sono REM vívido, redução do olfato, podem ser sinais de alerta precoce.

7. O Parkinson afeta apenas idosos?

Não. Existem casos de início precoce, antes dos 50 anos.

8. Quais os sintomas não motores mais comuns?

Depressão, ansiedade, distúrbios do sono, dor e constipação.

9. O diagnóstico é feito por exames de imagem?

O diagnóstico é clínico, feito por um neurologista especializado.

10. Há alimentos que pioram os sintomas?

O excesso de proteínas pode interferir na absorção de alguns medicamentos, como a levodopa.

A principal mensagem do artigo é clara: a doença de Parkinson é complexa, variável e profundamente pessoal. Por isso, o tratamento deve ir além dos sintomas e enxergar o indivíduo em sua totalidade — suas prioridades, rotina, trabalho e bem-estar.

Mais do que remédios, o que os pacientes querem é autonomia, dignidade e qualidade de vida.

Gostaria de conversar pessoalmente sobre o seu tratamento? Convido você a entrar em contato e agendar uma consulta!

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Dr. Rubens Cury Neurologista
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