DBS para Parkinson: quando a cirurgia é indicada e onde realizar em São Paulo
Postado em: 22/01/2026

Para muitas pessoas que convivem com a doença de Parkinson, chega um momento em que os sintomas começam a escapar do controle, mesmo com os remédios tomados corretamente. É nesse cenário, carregado de dúvidas e expectativas, que o DBS para Parkinson surge como uma possibilidade real de melhora — mas também como um tema cercado de inseguranças.
Entender o que essa cirurgia realmente faz é fundamental. Ao longo deste artigo, você vai descobrir como funciona a Estimulação Cerebral Profunda, quando o procedimento costuma ser indicado, quais pacientes podem se beneficiar, quais limitações existem e o que a medicina já sabe sobre seus efeitos nos sintomas motores.
Se você está avaliando opções de tratamento ou quer compreender melhor como o DBS pode ajudar no controle dos sintomas, continue a leitura!
O que é DBS (Estimulação Cerebral Profunda)?
A Estimulação Cerebral Profunda (DBS, do inglês Deep Brain Stimulation) é um procedimento cirúrgico no qual se implantam eletrodos em áreas específicas do cérebro envolvidas no controle do movimento.
Esses eletrodos são conectados a um gerador de pulsos (semelhante a um marcapasso) implantado sob a pele, geralmente na região do tórax.
O objetivo do DBS é modular a atividade elétrica de circuitos cerebrais alterados na doença de Parkinson, reduzindo sintomas como tremores, rigidez muscular, lentidão de movimentos (bradicinesia), flutuações motoras e discinesias (movimentos involuntários associados ao uso de levodopa).
São pontos importantes a se considerar:
- O DBS não é uma cura para a doença de Parkinson;
- A doença continua progredindo ao longo dos anos;
- O DBS atua principalmente sobre os sintomas motores, permitindo em muitos casos:
- Maior controle dos movimentos;
- Redução de flutuações;
- Possibilidade de reduzir a dose de alguns medicamentos, em pacientes selecionados.
Quando bem indicado, o DBS é considerado uma terapia estabelecida e segura para doença de Parkinson e outros distúrbios do movimento, como tremor essencial e distonia.
Como funciona a cirurgia e o tratamento com DBS?
Na prática, o DBS para Parkinson é realizado em duas etapas principais. Confira!
Implante dos eletrodos no cérebro
O neurocirurgião posiciona um ou dois eletrodos finos em regiões-alvo, como o núcleo subtalâmico (NST) ou o globo pálido interno (GPI), áreas relacionadas ao controle do movimento.
Em grande parte da cirurgia, o paciente permanece acordado, com anestesia local no couro cabeludo.
Isso permite testar em tempo real a resposta motora e aumentar a precisão na colocação dos eletrodos.
O procedimento costuma durar em torno de 4 a 5 horas, podendo variar conforme o caso e o protocolo do serviço.
Implante do gerador (bateria) e conexão dos cabos
Em uma etapa seguinte, geralmente sob anestesia geral, o gerador é implantado na região do tórax ou abaixo da clavícula, e os eletrodos são conectados a ele por cabos sob a pele.
A estimulação geralmente não é ativada imediatamente após a cirurgia. Em muitos casos, o gerador é ligado de 2 a 3 semanas depois, quando já houve uma recuperação inicial.
A partir daí, o neurologista especializado faz sucessivas consultas de ajuste de parâmetros (voltagem, frequência, pulso, lado estimulado), em busca do melhor equilíbrio entre controle dos sintomas e efeitos colaterais.
Esse é um processo individualizado: cada pessoa responde de forma diferente, e o acompanhamento próximo é fundamental para o sucesso do tratamento.
Quando o DBS para Parkinson costuma ser indicado?
ODBS não é indicado para todos os pacientes com doença de Parkinson. Ele costuma ser considerado uma opção para pessoas que:
- Têm doença de Parkinson há pelo menos alguns anos (em geral, mais de 5 anos);
- Apresentam boa resposta inicial à levodopa, mas com o tempo passaram a ter flutuações motoras importantes, períodos “on/off” marcados ou discinesias difíceis de controlar;
- Apesar do uso correto de medicação, continuam com sintomas que comprometem a qualidade de vida;
- Não apresentam demência importante ou quadros psiquiátricos graves ativos (como depressão não tratada ou psicoses).
A idade também é um fator de avaliação: em muitos casos, o DBS é indicado com mais frequência em pacientes abaixo de 65–70 anos, sempre analisando riscos, benefícios e condições de saúde gerais.
Além disso, a decisão é sempre multidisciplinar, envolvendo um neurologista especializado em distúrbios do movimento, neurocirurgião funcional, equipe de enfermagem, psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, entre outros.
Seo DBS não for indicado para o seu caso, você pode conversar com seu neurologista sobre outras alternativas, incluindo o ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU), entre outras possibilidades.

Perguntas frequentes sobre DBS para Parkinson
Nas perguntas a seguir, vamos responder às dúvidas mais frequentes de pacientes sobre o DBS para doença de Parkinson. Confira!
Quanto tempo leva para perceber melhora após o DBS?
Alguns pacientes percebem mudanças nos sintomas logo nas primeiras semanas de ativação e ajuste do DBS. Porém, o processo é gradual: são necessárias consultas de programação ao longo de meses para chegar aos melhores parâmetros. Em estudos de seguimento, muitos pacientes mantêm melhora significativa de sintomas motores e qualidade de vida por vários anos após a cirurgia.
O DBS é reversível? O eletrodo pode ser desligado?
Sim. Uma das vantagens do DBS em relação a procedimentos lesivos (que lesionam áreas do cérebro) é que ele é ajustável e, em certa medida, reversível. A estimulação pode ser alterada (mudança de parâmetros), temporariamente desligada ou, em último caso, o sistema pode ser retirado cirurgicamente, se necessário.
Quanto tempo dura a bateria e como é feita sua substituição?
A duração da bateria depende do modelo de gerador (recarregável ou não) e dos parâmetros programados (intensidade, frequência, uso contínuo). Em média, geradores não recarregáveis podem durar alguns anos, enquanto sistemas recarregáveis podem durar mais tempo – até 25 anos. Quando a bateria se esgota, é realizada uma cirurgia menor, geralmente ambulatorial, para a troca do gerador, sem necessidade de recolocar os eletrodos no cérebro.
Posso fazer consulta online com um neurologista especialista?
Se você quer descobrir se o DBS é a melhor opção para o seu caso ou quais outras alternativas são mais adequadas, não deixe de marcar uma consulta com um neurologista especialista em distúrbios do movimento.
O Dr. Rubens realiza atendimentos presenciais em São Paulo e também atende via telemedicina, possibilitando consultas para pacientes de todo o Brasil e do mundo.
Entre em contato pelo WhatsApp e marque o seu horário!
Conclusão
O DBS para Parkinson pode ser um divisor de águas para alguns pacientes, especialmente quando os tremores, a rigidez e a lentidão já não respondem bem apenas aos remédios. A decisão sobre o DBS para Parkinson precisa ser calma, informada e compartilhada entre paciente, família e um neurologista especializado em distúrbios do movimento.
Se você tem dúvidas sobre a cirurgia ou sente que os sintomas estão mais difíceis de controlar, uma avaliação neurológica especializada é o próximo passo. Entre em contato e agende uma consulta com o Dr. Rubens!
Médico Neurologista especialista em doença de Parkinson, Tremor Essencial, Distonia, e Estimulação
Cerebral Profunda (DBS, deep brain stimulation). Possui doutorado em Neurologia pela USP, pós-doutorado em
Neurologia pela USP e Universidade de Grenoble, na França, e é Professor Livre-Docente pela USP.
Registro
CRM-SP 131445 | RQE 64840