O que é cirurgia de DBS?
Postado em: 17/03/2026
A cirurgia de DBS — sigla para Deep Brain Stimulation, ou Estimulação Cerebral Profunda — é um procedimento neurocirúrgico utilizado no tratamento de determinadas condições neurológicas que afetam o controle dos movimentos. Ela atua modulando a atividade elétrica em regiões específicas do cérebro, com o objetivo de reduzir sintomas que não respondem de forma satisfatória ao tratamento clínico.
Entre as condições em que a DBS pode ser considerada estão a doença de Parkinson, o Tremor Essencial e as Distonias. Em cada caso, a indicação depende de critérios clínicos rigorosos e de uma avaliação individualizada.
Este conteúdo explica o que é a DBS, para quais situações ela pode ser indicada, como é feita a avaliação do paciente e o que esperar do processo.
O que é DBS e como funciona no cérebro?
A Estimulação Cerebral Profunda funciona por meio do implante de eletrodos em áreas específicas do cérebro responsáveis pelo controle motor. Esses eletrodos são conectados a um pequeno dispositivo chamado neuroestimulador, implantado sob a pele na região do tórax, que emite pulsos elétricos contínuos e ajustáveis.
Esses estímulos elétricos modulam os circuitos cerebrais alterados pela doença, reduzindo sintomas como tremor, rigidez e lentidão dos movimentos. O sistema pode ser programado e ajustado externamente por um médico especialista, sem necessidade de nova cirurgia.
Um aspecto importante da DBS é seu caráter reversível e ajustável: o neuroestimulador pode ser desligado, reprogramado ou, se necessário, removido.
Para quais condições a DBS pode ser indicada?
A DBS é uma opção terapêutica estabelecida para condições específicas dos Distúrbios do Movimento. As principais são:
- Doença de Parkinson: indicação mais frequente, especialmente em pacientes com flutuações motoras e discinesias;
- Tremor Essencial: quando o tremor é intenso e compromete significativamente as atividades do dia a dia;
- Distonias: contrações musculares involuntárias e sustentadas que não respondem ao tratamento clínico;
- Síndrome de Tourette: em casos selecionados e com critérios específicos.
Em todas essas situações, a DBS é considerada quando os sintomas persistem de forma relevante apesar do tratamento clínico, impactando a qualidade de vida do paciente.
Como saber se o paciente é candidato à cirurgia de DBS?
A avaliação para DBS envolve critérios clínicos detalhados e uma análise individualizada. A decisão é sempre tomada por uma equipe multidisciplinar, que considera o histórico do paciente, o impacto dos sintomas e as condições gerais de saúde.
Entre os critérios gerais analisados estão:
- Tempo de evolução da doença;
- Impacto funcional dos sintomas na rotina;
- Ausência de demência ou transtornos psiquiátricos graves;
- Condições clínicas gerais compatíveis com o procedimento cirúrgico.
Critérios clínicos na doença de Parkinson
Na doença de Parkinson, os critérios de indicação são bem definidos. O paciente geralmente precisa apresentar:
- Flutuações motoras: períodos de boa resposta ao medicamento alternados com períodos de piora;
- Discinesias: movimentos involuntários associados ao uso prolongado de medicação;
- Tremor refratário: que não é controlado de forma satisfatória com o tratamento clínico;
- Pelo menos alguns anos de evolução da doença;
- Boa resposta prévia à levodopa: esse é um dos critérios mais importantes.
A avaliação é sempre individual. Dois pacientes com diagnóstico semelhante podem ter indicações diferentes, dependendo do quadro clínico completo.
Quais exames são realizados antes da indicação de DBS?
Antes de qualquer decisão cirúrgica, o paciente passa por uma série de avaliações e exames. Cada um tem uma função específica na análise da indicação:
- Ressonância magnética de crânio: avalia a estrutura cerebral e identifica possíveis contraindicações ao implante dos eletrodos;
- Avaliação neuropsicológica: analisa funções cognitivas como memória, atenção e raciocínio, fundamentais para definir o risco-benefício da cirurgia;
- Testes motores: medem o desempenho do paciente com e sem medicação, ajudando a quantificar o impacto dos sintomas;
- Avaliação psiquiátrica: quando indicada, investiga a presença de condições que possam influenciar o resultado ou a segurança do procedimento;
- Exames laboratoriais e pré-operatórios: avaliam as condições clínicas gerais do paciente para a cirurgia.
Esse conjunto de avaliações permite que a equipe tome uma decisão baseada em dados concretos, reduzindo riscos e aumentando as chances de um bom resultado.
Como é feita a cirurgia de DBS?
O procedimento é realizado em etapas. Na fase de planejamento, utiliza-se um sistema de estereotaxia — uma estrutura de referência posicionada na cabeça do paciente — que permite localizar com precisão as regiões cerebrais-alvo para o implante dos eletrodos.
Em muitos casos, parte da cirurgia é realizada com o paciente acordado. Isso permite que a equipe monitore a resposta cerebral em tempo real e confirme o posicionamento correto dos eletrodos. Essa etapa é realizada com anestesia local e sedação leve.
Após o implante dos eletrodos, o neuroestimulador é conectado e posicionado sob a pele, geralmente na região do tórax. O dispositivo começa a funcionar ainda no período pós-operatório, e os ajustes são feitos progressivamente nas consultas de acompanhamento.
O que esperar após a cirurgia e como é o acompanhamento?
Após a cirurgia, o neuroestimulador é programado e ajustado de forma gradual pelo neurologista. Esse processo pode levar semanas ou meses.
Na maioria dos casos, os medicamentos não são suspensos imediatamente após a DBS. A cirurgia é uma terapia complementar, não substituta da medicação, embora em muitos pacientes seja possível reduzir as doses.
O seguimento regular com a equipe é essencial. Consultas periódicas permitem ajustar os parâmetros do neuroestimulador, monitorar a evolução da doença e adaptar o tratamento.
FAQ — Perguntas frequentes
A DBS cura a doença de Parkinson?
Não. A DBS não é uma cura para a doença de Parkinson. Ela é uma opção terapêutica que pode reduzir significativamente sintomas motores em pacientes selecionados, melhorando a qualidade de vida, mas a doença continua presente e em progressão.
A cirurgia de DBS é reversível?
Sim. O sistema pode ser desligado, reprogramado ou removido. Essa é uma das características que distingue a DBS de outras abordagens cirúrgicas.
Existe idade máxima para realizar DBS?
Não há um limite de idade absoluto. A decisão leva em conta a avaliação clínica total do paciente, incluindo condições de saúde, risco cirúrgico e expectativa de benefício. Pacientes mais idosos podem ser candidatos, desde que os critérios sejam atendidos.
Avaliação especializada em DBS
A cirurgia de DBS representa uma etapa importante na jornada de pacientes com Distúrbios do Movimento que não obtêm controle satisfatório com o tratamento clínico.
Se você ou um familiar apresenta sintomas que não estão sendo adequadamente controlados, ou se já recebeu uma indicação cirúrgica e deseja uma segunda opinião, o próximo passo é conversar com um especialista em Distúrbios do Movimento.
O Dr. Rubens Cury realiza avaliações presenciais em São Paulo e por telemedicina para todo o Brasil.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica individualizada.
Dr. Rubens Cury
Neurologista Especialista em Parkinson
Professor Livre-docente da Universidade de São Paulo
CRM-SP: 131.445
RQE: 64.840
Médico Neurologista especialista em doença de Parkinson, Tremor Essencial, Distonia, e Estimulação
Cerebral Profunda (DBS, deep brain stimulation). Possui doutorado em Neurologia pela USP, pós-doutorado em
Neurologia pela USP e Universidade de Grenoble, na França, e é Professor Livre-Docente pela USP.
Registro
CRM-SP 131445 | RQE 64840