Cirurgia para Parkinson: quando é indicada e como é feita a avaliação
Postado em: 13/04/2026
A cirurgia para Parkinson não é o primeiro passo no tratamento da doença. Ela representa uma etapa específica da jornada terapêutica, indicada para um grupo selecionado de pacientes que, mesmo com tratamento medicamentoso bem ajustado, ainda enfrentam complicações que comprometem a qualidade de vida.
Entender quando essa opção entra em cena, como funciona a avaliação e o que esperar do processo pode ajudar pacientes e familiares a conversar com mais segurança com o especialista responsável pelo acompanhamento.
O que é a cirurgia para doença de Parkinson?
A principal modalidade cirúrgica utilizada no tratamento da doença de Parkinson é a Estimulação Cerebral Profunda, conhecida pela sigla DBS (do inglês Deep Brain Stimulation). O procedimento consiste na implantação de eletrodos em regiões específicas do cérebro, conectados a um gerador de pulsos elétricos posicionado sob a pele.
Esses eletrodos modulam os circuitos cerebrais responsáveis pelo controle do movimento, reduzindo sintomas como tremor, rigidez e lentidão. A cirurgia não trata a causa da doença, mas pode melhorar de forma significativa o controle dos sintomas motores em candidatos adequadamente selecionados.
Quando a cirurgia para Parkinson passa a ser considerada?
A indicação cirúrgica costuma ser discutida quando o paciente apresenta complicações motoras que não respondem de forma satisfatória ao ajuste dos medicamentos. As duas situações mais comuns são:
- Flutuações motoras (períodos “off”): momentos do dia em que o efeito da medicação diminui e os sintomas retornam com intensidade, limitando atividades básicas.
- Discinesias: movimentos involuntários e excessivos que surgem como efeito colateral do tratamento prolongado com levodopa.
Além disso, um critério fundamental é que o paciente tenha apresentado boa resposta prévia à levodopa. Isso indica que os circuitos cerebrais envolvidos respondem à modulação, o que é um preditor importante de resposta à cirurgia.
Pacientes bem controlados com medicamentos, sem flutuações relevantes ou com impacto funcional mínimo, geralmente não têm indicação cirúrgica naquele momento.
Como é feita a avaliação para saber se o paciente pode operar?
A avaliação para indicação do DBS é multidisciplinar e envolve diferentes profissionais e etapas. O objetivo é identificar com precisão quem se beneficiará do procedimento e reduzir riscos.
Avaliação clínica em fases “on” e “off”
O neurologista examina o paciente em dois momentos distintos: com o efeito pleno da medicação (fase “on”) e após um período sem tomá-la (fase “off”). Essa comparação permite medir a amplitude das flutuações motoras e estimar como o paciente pode responder à cirurgia.
Avaliação cognitiva e emocional
Testes neuropsicológicos são realizados para avaliar memória, atenção, linguagem e aspectos emocionais. Alterações cognitivas importantes podem aumentar os riscos do procedimento e influenciar diretamente na decisão de indicar ou não a cirurgia.
Essa etapa não é uma barreira, mas uma medida de segurança para garantir que o procedimento seja realizado nas condições mais favoráveis possíveis.
Quais exames são necessários antes da cirurgia para Parkinson?
Além das avaliações clínicas, alguns exames complementares fazem parte do protocolo pré-operatório. Entre os mais comuns estão:
- Ressonância magnética de encéfalo: essencial para o planejamento cirúrgico, permitindo identificar as estruturas-alvo com precisão e verificar a ausência de condições que contraindiquem o procedimento.
- Exames laboratoriais: avaliação geral do estado de saúde do paciente.
- Avaliação cardiológica: solicitada quando há indicação clínica, especialmente em pacientes com histórico cardiovascular.
Esses exames não servem apenas para liberar o paciente para a cirurgia, eles orientam o planejamento e contribuem para a segurança de todo o procedimento.
O que esperar após a indicação da cirurgia?
Uma vez confirmada a indicação, o processo segue etapas bem definidas. O procedimento envolve a implantação dos eletrodos e do neuroestimulador. Após a cirurgia, inicia-se uma fase de programação do dispositivo, com ajustes progressivos realizados pelo neurologista para otimizar o controle dos sintomas.
Na maioria dos casos, os medicamentos não são suspensos, mas podem ser reduzidos ao longo do acompanhamento. A resposta ao tratamento é monitorada continuamente, e os ajustes fazem parte da rotina de cuidado.
Perguntas frequentes
A cirurgia para Parkinson substitui totalmente os medicamentos?
Não. Na maioria dos casos, há uma redução das doses, mas não a suspensão completa. Os medicamentos continuam fazendo parte do tratamento, e o ajuste é feito de forma gradual após a cirurgia.
A cirurgia melhora sintomas como equilíbrio e memória?
A principal resposta ao DBS é observada nos sintomas motores, como tremor, rigidez e lentidão dos movimentos. Sintomas não motores, como alterações de equilíbrio, memória ou humor, podem não responder da mesma forma.
Existe um momento ideal para avaliar a cirurgia?
O momento ideal é muito individual. Não há uma regra única para todos os casos. A avaliação deve ser considerada quando as complicações motoras passam a comprometer de forma relevante a qualidade de vida, mesmo com tratamento adequado.
Avaliação especializada em cirurgia para Parkinson
A decisão sobre a cirurgia para Parkinson é sempre individualizada. Não existe um protocolo único que se aplique a todos os pacientes.
Se você ou um familiar tem doença de Parkinson e deseja avaliar a possibilidade de cirurgia, agende uma avaliação com o Dr. Rubens Cury, neurologista especialista em distúrbios do movimento. O atendimento pode ser realizado de forma presencial em São Paulo ou por telemedicina para todo o Brasil.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica.
Dr. Rubens Cury
Neurologista Especialista em Parkinson
Professor Livre-docente da Universidade de São Paulo
CRM-SP: 131.445
RQE: 64.840
Médico Neurologista especialista em doença de Parkinson, Tremor Essencial, Distonia, e Estimulação
Cerebral Profunda (DBS, deep brain stimulation). Possui doutorado em Neurologia pela USP, pós-doutorado em
Neurologia pela USP e Universidade de Grenoble, na França, e é Professor Livre-Docente pela USP.
Registro
CRM-SP 131445 | RQE 64840